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Irecê e Região

Ao se tornar centro financeiro da região, Irecê atrai atenção de bandidos

20 de Março de 2017 (atualizado 27/Jun/2017 17h19)

A tática da organização criminosa em Irecê foi a mesma utilizada em outras cidades, como Seabra e Jacobina, no ano passado. Prefeito Elmo Vaz reforça pedido para ampliação da estrutura dos serviços de segurança.

Foto: Na manhã de hoje, dezenas de curiosos se espremiam perplexos para testemunhar a violência da ação criminosa (Rodrigo de Castro Dias)

Foto: Na manhã de hoje, dezenas de curiosos se espremiam perplexos para testemunhar a violência da ação criminosa (Rodrigo de Castro Dias)

Redação Cultura&Realidade - Por João Gonçalves*

Infelizmente Irecê foi a mais nova vítima de um ataque a banco no interior baiano. A prática, cada vez mais comum, era mais restrita a cidades de pequeno porte, que possuem menor aparato de segurança. Contudo, o ano anterior já havia dado mostras de que a ousadia das organizações havia aumentado, com os ataques a bancos em cidades de referência regional como Jacobina e Seabra. Como se não bastasse, a população viveu momentos de terror com a postura intimidadora dos bandidos, que circularam diversas ruas atirando para o alto.

O método da ação criminosa ocorrida ontem em Irecê é o mesmo adotado por quadrilhas especializadas em todo o País. Pelas características do ato, o grupo pertence à mesma organização criminosa e atua de forma planejada. Nota-se uma conduta de procedimentos prévios, como localização das sedes das estruturas de segurança da cidade, residências de policiais com poder de comando, além de informações dos locais objetos da ação.

De acordo com um agente da polícia civil, três fatores foram fundamentais para a frustração do assalto em Irecê: as presenças de duas viaturas da Caesa, que se encontravam na cidade, transportando um traficante de Morro do Chapéu para a Delegacia de Irecê, sob comando do Major Maltez, que entrou em contra ataque com os bandidos no momento do tiroteio; o fato dos escombros do cofre forte terem caído sobre o dinheiro existente, resultando também na falta de energia no local, inviabilizando a ação do roubo; e um dos comparsas ter sido alvejado na troca de tiros com a força policial.

Foto: Batalhão de Operações Especiais (Bope) faz vigilância e desarmamento de bomba remanescente na agência atacada (Reprodução)

Cidades próximas que já foram atacadas - As cidades de Jacobina e Seabra, além de municípios menores como Ibititá, Central, Jussara, Iraquara e Uibaí, foram as que tiveram no ano passado ataques similares ao que ocorreu ontem na cidade de Irecê. Verdadeira tática de guerra utilizada pelos bandidos. Eles costumam gerar o pânico nos moradores e nos próprios agentes de segurança com intenso tiroteio com uso de armas de grosso calibre. 

De acordo com as policias Civil e Militar, as diligências continuam, em perseguição aos bandidos. Hoje pela manhã, por volta das 10:30h, o Comando do 7º Batalhão da Polícia Militar e o prefeito da cidade, Elmo Vaz recepcionaram no aeroporto agentes do BOPE, que vieram ajudar na perseguição.
Alvo e reivindicação – A cidade de Irecê passou a ganhar maior interesse dos bandidos com o fechamento de algumas agências da região, como a de João Dourado, tendo os seus serviços concentrados na principal cidade do Território, situação de certa forma esperada . Por conta disso, o prefeito Elmo Vaz, que já havia solicitado reforço para a segurança em Irecê, intensificou as exigências.

Foto: Prefeito de Irecê recebe batalhão que veio reforçar a operação de perseguição a organização criminosa (Divulgação/Prefeitura de Irecê)

De acordo com o prefeito, pelo fato de agências terem sido fechadas na região, as transações financeiras se intensificaram em Irecê e isso exigiu uma atenção especial do governo.  Elmo também ressaltou as solicitações que o poder público municipal fará com foco na segurança pública. “Além de estarmos reiterando as reivindicações feitas, estamos apresentando novos pedidos, como a implantação de uma unidade da Cipe Semiárido como sede regional, da Graer (Grupo Aéreo PM/BA), pelas mesmas razões e do Corpo de Bombeiros da PM/BA. Outra coisa que precisamos muito é o funcionamento do Sincom (Sistema Integrado de Comunicação), que teve inicio no governo Paulo Souto e ainda está inconcluso” disse o prefeito.⁠⁠⁠⁠

ATUALIZAÇÃO: de acordo com a SSP, a quadrilha é a mesma que recentemente teve fuzis apreendidos e uma roça de maconha avaliada em R$ 5 milhões destruída. "Tudo indica que a ação de ontem tinha o objetivo de levantar recursos para reaparelhar o grupo, mas a polícia mostrou, mais uma vez, que aqui na Bahia a criminalidade é encarada de frente", destacou o secretário da Segurança Pública, Maurício Teles Barbosa. 

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*Colaborou Rodrigo de Castro Dias