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Educação

Ação Cidadã pelas Crianças de Uibaí completa 15 anos apostando na formação de jovens carentes

04 de Abril de 2017 (atualizado 27/Jun/2017 11h52)

Foto: em 15 anos, aproximadamente mil crianças e adolescentes foram apoiadas pelas ações da ACCU (Divulgação)

Foto: em 15 anos, aproximadamente mil crianças e adolescentes foram apoiadas pelas ações da ACCU (Divulgação)

Redação Cultura&Realidade

O final de 2016 foi especial para um grupo uibaienses envolvidos com ações sociais. A Ação Cidadão pelas Crianças de Uibaí (ACCU) fez um balanço de seus 15 anos de atividades com crianças e adolescentes da cidade, que colaboraram para o fortalecimento e desenvolvimento de novos integrantes da sociedade local. 

Para ilustrar e comemorar o momento, a direção da ACCU enviou ao Cultura&Realidade um relato que resgata a história e a trajetória de trabalho da associação.

Confira:

Em meados de 2002, o trabalho solitário que o cidadão uibaiense Jário Souza da Silva, o popular Jarão, vinha desenvolvendo com crianças em Uibaí entrou no radar de ação do voluntariado daquele importante município de nossa região. Na oportunidade, o trabalho passou a ser apoiado com uma modesta ajuda de custo mensal e com o fornecimento de jogos de uniformes esportivos. Nascia a ACCU - Ação Cidadã pelas Crianças de Uibai, com uma logomarca que lembra os contornos das serras de Uibai e as cores azul, verde e branco. A partir de então o trabalho de Jarão passou a ser acompanhado, incentivado e divulgado. A escolinha de futebol ficou blindada do assédio de oportunistas que se aproximam dos movimentos sociais, principalmente em épocas de eleição. As atividades da ACCU cresceram, transformando-a em uma sólida iniciativa do gênero na região. 

Jarão lembra que, como não havia sede própria nem local certo para treinamento, Edimario Oliveira Machado, principal voluntário e entusiasta do projeto, decidiu comprar uma área na periferia de Uibaí, local onde o preço de terreno é mais acessível. Ele começou então, com recursos próprios, a construção de um centro esportivo. Primeiro foi murada á área, depois foi construído um campo de terra, em seguida foi preciso construir uma pequena Cantina, veio depois a quadra esportiva, uma escolinha para atividades de reforço escolar e círculos de leitura e uma pequena arena multifuncional. Por último, foram construídos dois vestiários e instaladas as proteções com tela metálica em volta do campo de futebol. 

Foto: o esporte é uma das linhas de formação mais trabalhadas pela associação (Divulgação)

A partir de janeiro de 2009 a ACCU realizou uma experiência com o fornecimento de lanche para as 200 crianças do projeto. Durante o ano de 2009, a cada treino elas se alimentaram com um pão com mel (carboidrato), uma banana (potássio) e um copo de leite com café (proteína). Foram 800 lanches por semana, 3.200 lanches por mês e 38.400 lanches durante o ano, o que surtiu efeito muito positivo nas atividades da ACCU, já que muitas crianças que participam do projeto são carentes, principalmente no que tange à questão nutricional. A partir de janeiro de 2010, por dificuldades financeiras, o lanche passou a ser constituído apenas por uma banana e uma laranja, para lamento da criançada. Um dos grandes desafios da ACCU é voltar a oferecer o lanche composto por pão com mel, café com leite e banana, que tem um custo mensal de R$ 3.500,00.

Outra experiência interessante foi desenvolvida em 2009 por técnicos voluntários, que atuaram nas interfaces entre ACCU, escola e famílias, de modo a entender e tratar questões delicadas, relacionadas com uso de drogas e desestruturação familiar. O trabalho contou com a participação da socióloga Lívia e da pedagoga Ada Oliveira Machado, resultando num relatório que ofereceu excelentes insumos para as atividades da ACCU e na aprovação e implantação de um ponto de leitura na escolinha da entidade. 

Foto: pequena multidão de jovens reunidos em ação da ACCU (Divulgação)

O trabalho da ACCU já despertou o interesse do meio acadêmico regional. A Universidade Estadual da Bahia – UNEB, através do Departamento de Ciências Humanas e Tecnológicas, destacou um grupo de formandos do curso de Pedagogia para realizar trabalho de campo na ACCU. A equipe foi coordenada pela então formanda Eliana Oliveira Bastos, que concluiu o trabalho e apresentou certificado de reconhecimento da importância das atividades desenvolvidas no projeto.

Em 2014 a UMBU inscreveu um projeto em edital da Secretaria da Cultura da Bahia e do Ministério da Cultura, iniciativa que resultou na aprovação do Ponto de Cultura de Uibaí. Como metas transversais, o ponto de cultura contemplou oficinas de futebol e de círculo de leitura da ACCU, em fase de execução. Também, a implantação de duas turmas da guarda mirim ambiental, para implantação em 2017.

Foto: investimento social em jovens é a razão de ser e existir da associação (Divulgação)

A ACCU completará quinze anos de vida e por ela já passaram mais de mil crianças e adolescentes. A entidade sob gestão da União Municipal em Benefício de Uibaí – UMBU, se prepara agora para realizar projetos, com o fim de captar recursos, ampliar o leque de atuação e fortalecer as ações para reforço escolar, inclusão digital, círculos de leitura e aceleração do aprendizado das mais de duzentas criança que fazem parte de suas atividades diárias.

Para Edimario Oliveira Machado, idealizador da ACCU, a entidade é um exemplo de que investimento social em município pequeno, no Semiárido brasileiro, polígono das secas, é algo possível e desejável, embora na contramão da lógica dominante, que tem o lucro como princípio, meio e fim.

ACCU – um movimento pela vida no sertão baiano